A Manteiga está de Volta

 

Depois de décadas sendo excluída da mesa de jantar, muitos especialistas agora estão desafiando a orientação de reduzir o consumo de manteiga.

 

Onde a manteiga era vista uma vez como inimiga quando se tratava da saúde do coração, mais e mais pesquisas confirmam que a gordura na dieta não é a culpada e as gorduras lácteas não estão vinculadas ao maior risco de doença cardíaca. 

Agora, os especialistas acreditam que a antiga orientação dos anos 70 de que as gorduras saturadas como a manteiga devem ser cortadas para apenas 10 por cento de uma dieta diária "não deveria ter sido introduzida". 

A manteiga, com moderação, pode se ajustar facilmente em uma dieta saudável equilibrada. 

“A manteiga tem reunido uma melhor percepção de saúde ao longo dos últimos 18 meses.”- David Maloni da Associação Americana de Restaurantes, disse à CNBC em março. 

A evidência emergente como a da Universidade do Estado da Geórgia, nos Estados Unidos, também levantou preocupações sobre os emulsificantes que são comumente utilizados no processamento de alimentos e também são encontrados na margarina. Estes possuem um potencial para prejudicar as bactérias saudáveis do intestino e promover inflamação. Estas questões, por sua vez, estão ligadas ao aumento do risco de obesidade e distúrbios metabólicos - as mesmas doenças que os consumidores uma vez esperavam evitar escolhendo a margarina ao invés da manteiga. 

O consumo de margarina, tanto nos EUA quanto no Reino Unido, diminuiu. De acordo com a publicação da indústria britânica The Grocer, as vendas no Reino Unido estão caindo cerca de 7% ao ano. O novo entendimento sobre a manteiga e a saúde, combinado com um aumento do interesse em ingredientes naturais e o grande sabor da manteiga, colocaram a manteiga de volta à mesa de muitos consumidores. 

 

 

 

No entanto, à medida que a manteiga desfruta de seu renascimento, vale indicar que nem todas as manteigas são criadas da mesma maneira. A composição do leite, e os produtos feitos a partir dele, varia dependendo da ração do gado -  e o gado da Nova Zelândia são alimentados predominantemente em pasto. O leite das vacas alimentadas predominantemente em pasto, ao invés de alimentadas com grãos, é tipicamente mais rico em ácidos graxos ômega 3, ácido linoleico conjugado (CLA), vitamina E e betacarotenos. O último dá à nossa manteiga sua típica coloração amarela, dessa forma você pode realmente ver a 'qualidade' em nosso leite da Nova Zelândia.  

Enquanto isso, a CNBC observa que esta mudança geral de atitude em favor da manteiga e da margarina está sendo refletida nos menus, mais notavelmente no McDonald's americano, que optou por trocar a margarina pela manteiga em seus Egg McMuffins no último ano. 

“O consumo de manteiga continua sólido depois de anos de diminuição e aumento em termos de consumo doméstico per capta [nos EUA],” disse o Analista da BB&T Capital Markets Brett Hundley à CNBC. Seja o McDonald’s ou alguém mais, há uma tendência em favor de ingredientes naturais, e a manteiga certamente se enquadra nisso.


Alexander DD, Bylsma LC, Vargas AJ et al. (2016) Dairy consumption and CVD: a systematic review and meta-analysis. Brit J Nutr 115:737-750.

Qin LQ, Xu JY, Han SF et al. (2015) Dairy consumption and risk of cardiovascular disease: an updated meta-analysis of prospective cohort studies. Asia Pac J Clin Nutr 24(1):90-100.

Chassaing B, Koren O, Goodrich JK et al. (2015) Dietary emulsifiers impact the mouse gut microbiotia promoting colitis and metabolic syndrome. Nature 519(7541):92-6.

CNBC
Georgia State University